terça-feira, 21 de junho de 2016

   No âmbito do Projeto de Animação Comum da Leitura da Biblioteca Almeida Garrett, muitos alunos da Escola Básica 2/3 do Viso escreveram, leram expressivamente e declamaram... Os textos que se seguem são as palavras desses alunos levados pela inspiração das palavras de Luísa Dacosta. Foram escritos, uns no Clube Dez Dedos de Escrita, outros na Comunidade de Leitores, atividades dinamizadas pela Biblioteca Escolar, sendo que a atividade Comunidade de Leitores foi feita em articulação com a disciplina de Português.

1. Palavras


Tocam-me
como lábios,
como beijos.
Pássaros, sedentos de ramos
e de sombra,
pousam-nos nos ombros.
A movimentos de asa,
desenham-me ainda um corpo
- Secreta arquitectura de água,
Rasgada no vento.


                               Luísa Dacosta


Palavras

Escondidas, prontas para atacar,
São palavras que doem,
Que ferem, atormentando a vida
Daqueles que as ouvem.

Escuras, sentem-se,
Magoam, mas,
Por um raio de luz, desvanecem.
Mas não para sempre...

                               José Coutinho, 7º B (Clube Dez Dedos de Escrita)


Palavras

Vêm com o vento.
Eu abro a janela e
Uma brisa sopra.
Ao de leve sinto, ouço
As palavras que saem do teu corpo,
Dos teus lábios.
Penso, repenso e,
Do nada sinto-me
Rodeado.
Levanto voo e
Embalado pelas palavras
Me cresce uma paixão.

                               Gonçalo Rocha, 9º B (Clube Dez Dedos de Escrita)



Palavras

Eu deito-me,
E sonho.
Sonho que desenho.
Que desenho Palavras.

Umas tristes,
Outras felizes.
Umas malvadas,
Outras queridas e engraçadas.

Eu sonho,
Mas sonho feliz.
Pois desenhar palavras,
E fazer os outros felizes,
Faz-me a mim
Sorrir.

                               Rafael Santos, 7º B (Clube Dez Dedos de Escrita)

As Palavras

Têm a cor verde como a esperança, a folha e a árvore,
O planalto esverdeado, a maçã e os arbustos.
Verdes como as tartarugas, o musgo e as algas.
Verdes como a floresta, a maresia e o mundo.

Refrescam como a sombra e o mar.
Completam histórias com derrotas e vitórias.
Aquecem como os amigos e o calor.
São criativas como um grande pôr-do-sol.
Voam quando o vento lhes toca.
Fazem com que sonhemos acordados.
Esvoaçam como o pensamento das pessoas.
Prolongam a alegria e acabam com o mal.
São alegres como as flores e toda a natureza.
São nossas amigas e têm um sentido radiante.
Gostam de todos.
A mim aquecem-me.

Com elas escrevo natureza, paraíso, bonança e beleza.
Com elas escrevo a paz, a união, a harmonia e a liberdade.
Com elas escrevo família, alegria, flores e cores.
Com elas escrevo amizade, asa de pássaro e poesia.
Com elas escrevo tudo.

                               Poema coletivo do 5º A (Comunidade de Leitores)



Não é o restolhar do vento.
É a tua lembrança
Que se ergue em mim.

Não é a rosa a esfolhar-se.
É a minha boca – sede e romã –
Que sangra na tarde.
Não é a noite que desce.
É a sombra dos teus olhos
A fechar o horizonte.

                               Luísa Dacosta

Poema de amor

Os teus lábios escarlates me ofuscam
O teu amor me corre nas veias
Amor vivo, amor doce
Amor sem fim e sem princípio.

A tua saudade me preenche
E na noite eu me encontro
Embalado pela luz do teu olhar.

Os teus olhos reluzentes
Fazem-me esquecer das gentes que vejo passar.

As tuas mãos, os teus gestos me fazem pensar
Quem sou?
Porque o sou?
Vou apenas deixar passar…

                               Gonçalo Rocha, 9º B (Clube Dez Dedos de Escrita)


Quero todo o teu espaço
e todo o teu tempo.
Quero todas as tuas horas
e todos os teus beijos.
Quero toda a tua noite
e todo o teu silêncio.

                               João Silva, 9º B (Clube Dez Dedos de Escrita)





  
Do teu peito aberto eu voo.
Navego no teu corpo.
Toco-te de leve
como se de uma brisa se tratasse.
E tu, meu amor,
permaneces em silêncio.
Permaneces quieta, muda.
Firme e hirta, soltas uma palavra.

                               Gonçalo Rocha, 9º B (Clube Dez Dedos de Escrita)


“A beleza é igualada pelo sofrimento, e é ele que a torna tão necessária, frágil e preciosa.”
                                                                                                                                                             Luísa Dacosta

Como:
A beleza das nuvens escuras que parecem novelos de lã.
A beleza do calor que queima mas também aquece e conforta.
A beleza do mar agitado com a força das ondas de encontro às rochas.
A beleza da chuva no momento de adormecer.
A beleza do outono com as folhas a cair.
A beleza do pôr-do-sol que ilumina o fim do dia.
A beleza das flores que murcham e ficam suaves.
A beleza do inverno na neve que cai e no fundo que embranquece.
A beleza das árvores despidas, como rendas, no inverno.
A beleza dos relâmpagos que tudo iluminam.
A beleza da noite que nos abraça.
A beleza da tristeza que quando nos atinge, faz-nos sentir vivos.

Texto coletivo do 5º A (Comunidade de Leitores)

Fatalidade

Não sei tecer
senão espumas,
nuvens
e brumas.
Coisas breves,
leves,
que o vento desfaz.

Como prender-te
em teia tão frágil?

                               Luísa Dacosta






Tão frágil que se quebra
Com uma simples lágrima,
Ou uma discussão.
A minha teia é irreversível.

Nunca me digas não,
Com os teus braços enrolados em mim,
Como um pássaro aterrando em casa.

                               José Coutinho, 7º B (Clube Dez Dedos de Escrita)

Não sei tecer
senão o sonho,
as flores,
e os animais.
Coisas simples,
duradouras,
que a felicidade nos traz.
Como crescer sem sonhar?

Não sei rimar
senão falar de livro,
coração
e amigo.
Coisas intermináveis,
que nem o sofrimento apaga.
Como viver sem um amigo?

Não sei gritar
senão paz,
harmonia
e alegria.
Sentimentos que deviam governar o mundo,
mas que a vida desfaz.
Como é não conseguir sonhar?

Não sei viver
senão a dançar coisas vivas
e a sonhar com liberdade.
Não sei o que é a vida
senão coisas da imaginação,
que se tornam reais
quando descobrimos o seu sentido.
Como viver a vida se estamos frágeis?

Não sei pensar
senão se a vida tem sentido,
se o mar é infinito
e se as coisas insignificantes podem destruir o mundo.
Coisas invisíveis,
profundas,
que o sonho não pode travar.
Como fazer um mundo melhor?


                               Texto coletivo do 5º A (Comunidade de Leitores)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

"Curtas" com mais novidades...


 Aproxima-se  o dia 30 de junho - data limite de votação nas Curtas, no âmbito da comemoração dos 20 anos da Rede de Bibliotecas Escolares(RBE).

 Já apreciaste o vídeo nº 74? Trata-se do vídeo realizado por um grupo de alunos da EB 2/3 do Viso no PORTO!

 Para o visualizares e votares basta ires à página 
https://www.facebook.com/rbeportugal/procurares o vídeo nº 74 e clicares no GOSTO, se gostares de verdade!
 No momento desta edição já contamos com 197 "GOSTOS"! Para que o nosso vídeo seja selecionado precisamos de aumentar este número! O vídeo merece , de facto, mais apreciadores! Não percas a oportunidade de o visualizar e de o partilhar com os teus amigos/ contactos!
  
  
"Toca" a apreciar e a votar!

quarta-feira, 8 de junho de 2016




A Feira do Livro 
e o
Encontro com Pais


com o lema  Ler Histórias Une a Família já chegou à Biblioteca da EB do Viso

  

 Convidamos a comunidade educativa para a Feira do Livro  a decorrer na Biblioteca da EB do Viso até dia 9 de junho.  A inauguração deste evento ocorreu ontem, dia 7 de junho, às 17:30 com um Encontro com Pais, sob o lema Ler Histórias Une a Família. 



Partilharemos algumas fotografias do momento especial da inauguração.






terça-feira, 31 de maio de 2016


FEIRA DO LIVRO 
 ENCONTRO COM PAIS

COM O LEMA  LER HISTÓRIAS UNE A FAMÍLIA

(BIBLIOTECA DA EB DAS CAMPINAS)

  
   A Feira do Livro da EB das Campinas decorreu entre 24 e 27 de maio, conforme divulgação anterior. No momento da inauguração, a comunidade escolar foi, calorosamente, recebida pelo Diretor do Agrupamento e pela Coordenadora da Biblioteca Escolar.  
   Chegou o momento de partilhar algumas fotografias da inauguração da Feira do Livro da EB das Campinas e do Encontro com Pais. Estas são esclarecedoras, relativamente ao momento especial de partilha que ocorreu, na biblioteca desta escola, com muita alegria, curiosidade e entusiasmo, entre alunos, pais, educadoras e professoras. 
  É certo que ler histórias une, verdadeiramente, a família!














quarta-feira, 25 de maio de 2016


A CIÊNCIA, COM PEQUENOS CIENTISTAS, CHEGOU, DE NOVO, À BIBLIOTECA!

   No mês de maio,  os nossos cientistas aprendem o processo artesanal do queijo fresco, e, no fim, saboreiam-no!  

  As sessões calendarizadas e divulgadas em cartaz e no blogue sobre a "Ciência na Biblioteca" são coordenadas pelas professoras Paula Lopes Quental (Ciências Naturais) e Ana Paula Alves (Coordenadora da BE/CRE) e contam com a colaboração privilegiada  da Filipa Pinto do 7ºB.  Estas sessões contam com o apoio da assistente operacional que apoia a BE/CRE, Rosário Duarte. 

   Publicam-se algumas fotografias das sessões já realizadas com as turmas B e C do 7ºano.










segunda-feira, 23 de maio de 2016


Feira do Livro 
Encontro com Pais

com o lema  Ler Histórias Une a Família (Biblioteca da EB das Campinas)

  

 Convidamos a comunidade educativa para a inauguração da Feira do Livro e para um Encontro com Pais, sob o lema Ler Histórias Une a Família, que terá lugar na Biblioteca da EB das Campinas, no dia 24 de maio, pelas 17h30. Este evento insere-se  na Comemoração do "Mês da Família".  






terça-feira, 17 de maio de 2016

"Curtas" com novidades...


Já é possível visualizar o vídeo produzido, na EB 2,3 do Viso, no âmbito do desafio" Curtas", no link
O vídeo foi construído a partir do guião criado no Clube " Dez dedos de escrita".


A partir de 27 de maio será feita a publicação dos filmes pela RBE, na sua página de Facebook https://www.facebook.com/rbeportugal/, local onde terá lugar a votação pelas comunidades educativas até ao dia 30 de junho. 

"Toca" a apreciar e a votar!


quarta-feira, 11 de maio de 2016



No dia 16 de maio, a CIÊNCIA vai voltar à biblioteca! 


De 16 a 25 de maio, algumas turmas ( 5º A, 5ºD, 6ºC, 7ºA, 7ºB, 7ºC, 8ºA e 8ºC) vão participar em sessões práticas sobre o processo artesanal para fazer queijo.


 Já viste o cartaz na tua escola? Ficaste com água na boca?

quinta-feira, 5 de maio de 2016


Vais participar nas "curtas"? 


Se és assíduo na biblioteca, já conheces o cartaz que se segue!
Não te esqueças que a tua participação é uma honra! Atenção aos prazos!



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No âmbito da comemoração dos 20 anos da RBE (Rede de Bibliotecas Escolares), chegam-nos desafios...


Que influência tem ou teve a biblioteca escolar na nossa vida?
Vamos dar o nosso testemunho! 
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  "COMUNIDADE DE LEITORES"

   A "Comunidade de Leitores" é um encontro em que são lidos e abordados alguns trechos de Luísa Dacosta, com mediação da professora bibliotecária. A partir das palavras da autora, os leitores são convidados a exprimir a sua opinião, o seu próprio pensar e sentir, partilhando ideias, transformando-as noutra escrita e noutras formas de ler.

    O 7ºA e o 8ºA  já estão a participar no projeto  "Comunidade de Leitores"! O 5ºano também vai participar! A  turma A vai amanhã, dia 6 de maio, participar no 1º encontro na biblioteca, neste âmbito, e a turma C integrará esta comunidade a partir de 10 de maio.

 



quarta-feira, 4 de maio de 2016

A nossa escola participou, com muito entusiasmo,
na fase distrital do
Concurso Nacional de Leitura



      No dia 19 de abril, na fase distrital do CNL, a nossa escola foi muito bem representada pelos três alunos que mais se destacaram na fase escola: o José Coutinho do 7ºB, o Miguel Silva e  a Mariana Teixeira do 9ºA. Os três prometem continuar a investir para conseguirem participar, de novo, na fase distrital!
     Com a professora Ana Paula, Coordenadora da BE, passaram um dia inesquecível na Biblioteca Almeida Garrett e, na hora do almoço, ainda  tiveram tempo para usufruir do jardim irresistível que a envolve. Partilhamos os bons momentos!







No auditório da Biblioteca Almeida Garrett, durante as entrevistas aos cinco alunos selecionados.



O José Coutinho, entre os 11 alunos do 3º Ciclo que participaram na oficina de escrita, dinamizada pela
escritora, Ana Saldanha! O José gostou muito desta  oportunidade e ainda "brilhou" a declamar "   Autopsicografia"  de Fernando Pessoa! 

No auditório, os aplausos foram sonantes!




 
















 Nos breves momentos de lazer, 
os  sorrisos e a paisagem dispensam comentários! 

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Mensagens de Ana Pessoa e de Hélia Correia

As autoras das obras escolhidas não puderam estar presentes no decorrer do evento- fase distrital do CNL. Mas não se esqueceram de deixar mensagens muito especiais para os alunos que conseguiram chegar à fase distrital do CNL.  Divulgam-se para que os leitores deste blogue não percam a oportunidade de as ler! As mensagens convidam-nos, inevitavelmente, à leitura das obras, disponíveis na biblioteca da escola sede do agrupamento.

"Daqui Ana Pessoa, autora do SUPERGIGANTE.
Eu corro para vocês com estas palavras.
Corro para os leitores.
Para os alunos e professores. Para os bibliotecários.
Eu corro para todos os que tornaram possível esta festa do livro aqui, no Porto.
E não quero ser a última a chegar. Quero ser a primeira.
Obrigada por me terem incluído neste evento. É um prazer enorme. É uma honra supergigante. Para mim. E para o Edgar também.
O Edgar é uma personagem de ficção, mas também existe. Também tem vontade própria.
O Supergigante é o meu segundo livro. Enquanto o escrevia, não sabia se seria capaz de o escrever. Não sabia se alguém teria interesse em correr com este livro. Apesar das minhas angústias, nunca desisti do Edgar e o Edgar também nunca desistiu de mim. Eu e o Edgar corremos sempre em frente e nunca olhámos para trás.
Eu chegava a casa transpirada e ofegante. Sentava-me à secretária para tentar apanhar as palavras que fugiam de mim.
Um dia cheguei ao fim desta história, que foi o princípio de uma outra história. As histórias são sempre o fim e o princípio. Os livros são o fim e o princípio. Nós também somos o fim e o princípio das muitas histórias que trazemos dentro de nós.
Eu quis escrever sobre isto. Sobre as histórias. Sobre os contrastes. Sobre o princípio e o fim. Sobre a vida e a morte, sobre o medo e a coragem. Sobre o passado e o futuro, sobre a felicidade e a tristeza, sobre a amizade e a inimizade. Somos feitos de contrastes. Rimos e choramos. Somos pequenos e grandes. Somos o Bem e o Mal. Queremos ir em frente. E também queremos voltar para trás.
Todos vocês chegaram aqui. A este dia. A esta festa. Esta foi a vossa meta.
O Edgar corre sempre em frente. E vocês também correm sempre em frente.
Esta é a vossa corrida.
E a vossa corrida é a vossa história. A vossa história é a vossa vida.
Ler é uma corrida. Viver é uma corrida.
Vale a pena estarmos aqui.
Somos as várias histórias que aconteceram hoje no Concurso Nacional de Leitura e somos muitas outras histórias. As histórias que vivemos. As histórias que estão por viver. E também as histórias que lemos e que um dia vamos ler.
Os livros fazem parte da nossa corrida. Da nossa descoberta.
A todos vocês, boa corrida e boa sorte.
Não percam o fôlego!"




Mensagem da Hélia Correia sobre "MOPSOS e O Ouro de Delfos"

   "Há hoje extraordinárias criações mitológicas. Da Guerra das Estrelas a Harry Potter, elas compõem um universo imaginário inteligente, rico e exigente, quanto à capacidade do leitor ou do espectador, de ali entrar. Não há qualquer razão para não lermos e não admirarmos estas obras. São todas concebidas por um autor ou por uma equipa limitada. Por isso as obras têm um limite.
   Não era assim com os antigos Gregos. São aos milhares as suas histórias e heróis. Cruzam-se uns com os outros. Como se isso não fosse suficiente, ainda aparecem versões diversas sobre cada uma das aventuras e por vezes, também, múltiplos finais. Não faltam monstros e heróis e mágicos. As criaturas superiores, os deuses, são geralmente belos, semelhantes aos seres humanos, mas mais altos, mais fortes, luminosos. Têm bastante graça porque amuam, são ciumentos, invejosos, refilões, metem-se nos assuntos dos humanos.
   Mais curioso é o facto de não haver autor. Foi ao longo de séculos e ainda antes da escrita que um povo imaginou e guardou na memória este livro invisível, de um tamanho que hoje não caberia numa estante. Para quem escreve sobre os mitos gregos, o difícil não é inventar personagens, enredos, ambientes, porque inventar seria uma traição e aquele mundo tem de tudo em abundância. Difícil é, no meio desta floresta, encontrar um caminho onde não haja demasiados cruzamentos e desvios, um caminho que leve de um princípio a um fim.
   O meu propósito, com a série «Mopsos», não é trazer a Grécia Antiga para cá. É levar o leitor para lá comigo. E depois, se possível, deixá-lo a procurar mais emoções sozinho.
Um beijinho"





segunda-feira, 25 de abril de 2016

No dia 25 de abril, a "BE/CRE" também se lembrou de vós e, desta vez, sugere que espreitem, requisitem , leiam, por exemplo, os livros cujas capas podem apreciar na fotografia seguinte! 




sábado, 23 de abril de 2016




No Dia Mundial do Livro sugerem-se leituras e apresenta-se um desafio: 
 O que têm em comum o livro e a liberdade para além de serem palavras que na língua portuguesa começam pela letra "L"?










William Shakespeare nasceu no dia 23 de abril de 1564  e faleceu no ano de 1616 (no dia 23 de abril !). Viveu apenas 52 anos, mas  deixou-nos uma obra de retirar o fôlego. Partilhamos a efeméride e apresentamos mais  uma sugestão de leitura - a imensa obra deste dramaturgo e poeta!  

No dia 26 de abril, se és um dos privilegiados que tomou a opção de frequentar, assiduamente, a biblioteca da tua escola, não vais perder informações, de muito interesse, sobre a vida e obra de William Shakespeare! 







sexta-feira, 22 de abril de 2016

 Divulgação dos nomes dos alunos 

premiados no âmbito das atividades da 

" Semana da Leitura "

e dos textos que os nossos premiados escreveram


































Publicam-se fotos de alguns dos momentos  especiais durante o sarau





























Ficam disponíveis para bons momentos de leitura, nesta página, os textos dos alunos premiados  no âmbito do Concurso Literário.Pela Mão da Escrita de Luísa Dacosta foi o tema dado para o Concurso Literário dinamizado pela Biblioteca Escolar, cuja divulgação e atribuição de prémios se inseriram na Semana da Leitura. Este concurso foi lançado aos alunos, na sequência dos Encontros com Livros, dinamizados pela docente Ana Paula Alves, Coordenadora da BE/CRE, que proporcionaram abordagens muito enriquecedoras de algumas obras de Luísa Dacosta. Muitos alunos aceitaram o desafio:  inspiraram-se na autora e escreverem os seus próprios textos. Desse processo criativo resultaram diversos trabalhos.  Partilhamos, ainda na página "Gosto de escrever", outros textos dos nossos alunos no âmbito deste Concurso!
 

Boa leitura!





Concurso Literário (Conto)


1º Ciclo

Nota Explicativa: Este texto foi inspirado na obra ROBERTICES de Luísa Dacosta
A carochinha e o João, na máquina do tempo.

            Era uma vez uma joaninha chamada Carochinha e um Freguês Caloteiro que não pagou ao Barbeiro.
            A Carochinha era cientista e inventava artefactos para viajar no espaço interestelar.
            Saltava de estrela em estrela e desviava-se dos buracos negros que a queriam sugar.
            Quando encontrava um cometa, segurava-se na sua cauda, mas por pouco tempo, pois sentia frio e ainda não tinha inventado um anticongelante espacial.
            De tempos, a tempos, sentia-se nostálgica ao lembrar-se do Planeta Azul onde nascera e fora muito feliz. Rodava o acelerómetro, parando apenas num prado verdejante, no meio dos terráqueos.
            - Huf! Desta vez a aterragem foi um pouco violenta, será que avariou algum travão?- disse de si para si.
            Seguiu para a aéro-oficina, que ficava num canavial, no interior de Portugal.
            - Penso que a revisão pode esperar. Vou primeiro refrescar-me, visitar alguns amigos e depois pensarei no assunto.
            Já liberta, da nave, abriu as suas lindas asas e esvoaçou livremente, fazendo até umas piruetas.
            - Fiquei tonta. - disse sorrindo a joaninha.
            De repente, ouviu um grande barulho:
            - Pum…! Pum…! Pum…!
            - As minhas tonturas fazem-me ouvir coisas estranhas. -  comentou.
             Mas algo mais se passava:
            - Paga caloteiro, seu ladrão.
            - Ah! Parece o meu amigo Barbeiro. Está em apuros. Vou dar uma espreitadela, para me inteirar do que se passa. – balbuciou.
            Voando cautelosamente, viu o barbeiro vermelho de raiva e a bater sem dó nem piedade em alguém.
            - O João Caloteiro!!! Sempre o mesmo. Quer ir para o espaço, como eu, mas em vez de trabalhar e investigar para conseguir fazer a sua máquina, põe-se a roubar! –conjeturou ela.
            Resolveu ir conversar com o Barbeiro.
            - Sr. Barbeiro, sr. Barbeiro! – chamou a Carochinha, com uma voz tão fininha que mal se ouvia.
            O barbeiro coçou a orelha e eis, que aparece na sua mão, a joaninha.
            - Ó minha Carochinha, que saudades! Sabes? Este sacana, quer fugir sem pagar e a vida é difícil para mim também.
            - Eu sei. - respondeu a Carochinha - por isso decidi  morar no espaço, mas vamos conversar com ele para percebermos porque faz estas coisas. (A Carochinha bem sabia que o João caloteiro imaginava que ela estaria para chegar e quis pôr-se janota, embora isso não o desculpasse da atitude incorrecta que teve).
            Depois de o acalmar, despediu-se e pousando no ombro do Caloteiro chamou:
            - João! João! Continuas a fazer o que não deves - sussurrou a Carochinha.
            - Ai! Chegaste minha Carochinha. Que saudades! Desta vez vais ajudar-me a ir contigo para os milhões de sóis que trago na minha cabeça. - falou o João, ainda meio incrédulo com tal visão.
            - Vamos então pensar como poderemos fazer – sugeriu ela.
            - Eu tenho uma ideia – disse o João (que não era tão caloteiro como dera a entender). Tu és pequenina, voas bem e rápido. Vai à floresta onde vive o Ratão. Ele tem uma varinha de condão que não sabe utilizar. Se lhe tocares com carinho ela traz-te até ao pé de mim e pedimos-lhe ajuda. Eu não posso ir à floresta, pois vou encontrar o cão, o porco e o gato que me impedem de passar.
            - Está bem, concordo. Espero que não aconteçam muitos percalços.
            - A Carochinha pôs-se a caminho e não foi difícil convencer a varinha de condão.
            Fizeram uma reunião e decidiram, num ápice, construir uma máquina do tempo – claro que, para a varinha de condão, isso foi muito fácil, pois a meiguice da Carochinha também fazia magia.
            - Antes de partirem – acrescentou a varinha de condão - esperem um pouco.
            Rataplão…Rataplão… já não serás caloteiro, serás apenas João.
            Rataplão…Rataplão… já não serás homem, serás o inseto João.
            Nesse momento, o João transformou-se numa joaninha- macho.
            Ambos cruzam agora o espaço sem fim, no passado, no presente e quem sabe, se também irão ao futuro?
            Eu, ainda hoje os vi, neste conto que escrevi.
                                  
                                                                                                   
João Paulo Ribeiro – 3º B
1º Prémio 1º Ciclo









2º Ciclo
A menina e o sonho
Uma menina e um sonho. O sonho de voar, de ter amigos.
- Quem me dera voar ou até ter amigos! - dizia Mariana todas as noites antes de se deitar.
 E todas as noites Mariana ia para a janela e punha-se atrás das belas cortinas que refletiam o luar da noite, a ver as estrelas, os pássaros de várias cores, tão bondosos e apreciados por toda a gente.
- Quem me dera ser um pássaro, para ir ter com as estrelas - sussurrava triste Mariana.
De seguida Mariana deitou-se e sonhou que estava na escola e tinha muitos amigos e, o melhor de tudo, que voava sem asas.
 E pensava:
- Como é que eu voo sem asas?
- É o voo da imaginação, o voo do sonho - respondeu um pássaro brilhante como as estrelas e que parecia ser muito sábio.
- Deves estar a perguntar quem sou eu- continuou o pássaro - sou o pássaro dos sonho ou até o pássaro da imaginação.
 Trim, trim- tocou o telefone no quarto. Mariana acordou um pouco zangada por ter sido acordada no momento em que…
- Oh não! Está aqui um pássaro bebé que não consegue voar – exclamou Mariana.
Mariana, como era muito bondosa, ajudou o pobre animal a voar e de repente começou a sentir-se estranha. Tinha-se tornado numa menina coração de pássaro por ser bondosa para com toda a gente. Subiu para junto das estrelas e falaram de coisas que só para ela faziam sentido. Mariana tinha-se tornado uma menina feliz, quer dizer uma menina coração de pássaro.

Susana Ribeiro – 1º Lugar ex-aequo 2º Ciclo



A Rapariga e o Sonho


Era uma vez uma história tão bonita, tão bonita, que os livros não aguentavam com tanta beleza!
            Nessa história havia uma rapariga…
Mas quem era essa rapariga?
            Esperem um pouco, já vão saber…
            Um dia, ela sonhou e pensou na liberdade e em como seria ser-se livre…
            A rapariga gostava tanto das plantas como elas gostavam dela, gostava do sol, da lua, e das estrelas
 porque achava que elas estavam muito tristes e sós lá no infinito do céu.
            Mais tarde, ela apercebeu-se que queria realizar o sonho de ser livre.
            Então, certo dia, ela disse muito alto:
             - No sonho, a liberdade…
            No dia seguinte foi passear no seu sítio preferido, que ela dizia ser encantado!
            E onde era esse sítio?
Vocês não sabem? Na biblioteca!
Na biblioteca? A biblioteca é um sítio encantado?
Sim, claro que sim!
Mas porquê?
Porque, sem a biblioteca onde é que podíamos sonhar, rir, viver aventuras viajando de livro em livro, mas principalmente…
 Mas principalmente o quê?
 Não posso dizer, vocês, é que têm de adivinhar…

                                                                                                          Bruna Oliveira
1º Prémio ex-aequo 2º Ciclo






3º Ciclo

Nota explicativa: Este texto é uma continuação de Minsk, excerto de um conto de Graciliano Ramos inserido na coletânea De Mãos Dadas, Estrada Fora…
Elos de Leitura
            Depois do que aconteceu com Minsk, os pássaros não cantavam, o vento não soprava e as pessoas não falavam.
             Luciana sentia que o mundo já não girava à volta dela, mas sim à volta de Minsk. Ninguém lhe batia à porta do quarto, nem lhe dirigiam a palavra… No fundo, era só a sua imaginação, porque tudo isso acontecia. A mãe chamava por ela para tomar o pequeno-almoço. Todos se fartavam de perguntar “A Luciana está cá?”. Mas ninguém respondia. Luciana não ouvia. Estava no seu mundo.
            Sentia tanta dor que era impossível aguentar. Por isso, no seu mundo, o seu pássaro, Minsk, passou a fazer-lhe companhia. Já não sentia dor. Ao invés, sentiu a brisa provocada pelo seu bater de asas. Ouviu o seu “he he” a vir do fundo de uma caixa, onde estavam os seus brinquedos.
            Pensou para si: “ Será que ele não morreu? Será que está ali dentro?”. Vasculhou a caixa, desarrumando tudo. E encontrou um brinquedo: era um pássaro que tinha a particularidade de cantar quando algo lhe tocasse. Poderia ser a voz de Luciana, as suas saudades, as suas lágrimas tristes ou o cheiro da comida acabadinha de fazer. Foi uma ocasião rara, até porque tinha poucos brinquedos. Foi então que se lembrou dos bons tempos que passou com o pássaro. As lágrimas começaram a cair formando um espelho, onde se viam todos os momentos dela com Minsk.
            Pela primeira vez após a tragédia, Luciana abriu a porta e contou tudo o que vira e sentira à mãe. Admirada esta perguntou-lhe:
            - Como é que te sentes agora?
            - Muito mal. Todos acham que eu fui a culpada. Até eu mesma! -respondeu.
            - Mas não. Nem todos. Ignorava-te mas sentia a tua tristeza dentro de mim! Estavas tão em baixo!- afirmou a mãe.
            E então abraçaram-se com tanta força que nunca mais esqueceram aquele momento.
            Luciana, ainda criança, tinha-se tornado uma mulher.

José Coutinho
1º Prémio ex-aequo 3º Ciclo



A história de uma sereia

            «Longe no tempo e no fundo do mar era uma sereia. Espuma de sonho e de impossível habitava sozinha os abismos azuis. Os seus cabelos que eram negros como a noite enfeitava-os ela com escamas de sol ou de luar caídas nas águas que recolhia nas tardes quentes ou nas noites luarentas e brancas." in Nos Jardins do Mar

            No fundo dos mares vive solitariamente Bela uma sereia, cuja beleza é lendária e voz encantadora, mas atrás desta beleza toda esconde-se um coração negro e escuro. Como é que uma bela sereia pode ter um coração tão negro? Bem, eu vou contar-vos.
            Há muito, muito tempo, na altura em que os reinos da Terra e dos Mares estavam em guerra, devido à ganância do homem e à vontade de dominar as riquezas dos mares. Havia um lugar onde a guerra nunca chegou à secreta Baía do Coral. Uma pequena ilha em forma de "U", de onde nos extremos surgiam enormes pedregulhos pontiagudos que os unia formando uma lagoa, que só podia ser descoberta pelos poderes de uma sereia. Esta lagoa era habitada por três belas sereias, uma das quais era Bela. Elas usavam os seus poderes para atrair os marinheiros feridos na guerra e poder curá-los, encantando as águas.
            Certo dia, apareceu na baía um barco de madeira que transportava um marinheiro alto, de pele branca, cabelo vermelho e olhos pretos como a noite. Este rapaz era filho do rei do reino da Terra, herdeiro do trono, quando se casasse. Bela e o marinheiro apaixonaram-se loucamente. Bela todos os dias mostrava-lhe as belezas dos mares e os seus poderes como sereia.
            Passado um ano, já o rapaz se tinha ido embora temporariamente, quando Bela recebeu uma mensagem entregue por um cavalo-marinho, na qual dizia que o rapaz se ia casar e assim tornar-se-ia rei. O seu primeiro ato seria atacar a Baía do Coral.
            Passado um mês, o novo rei chegou à Baía do Coral, pilhando as suas riquezas e raptando os animaizinhos que lá viviam, tornando-os seus escravos. Houve um momento em que dois comandantes do rei mataram as duas amigas sereias de Bela e esta teve um ataque de raiva que a fez matar todos os marinheiros, exceto o rei. Quando só restava o rei, ela espetou-lhe uma espada que estava caída no chão no peito. Nos seus últimos suspiros o rei disse «Fui obrigado a casar e a atacar a tua casa, senão nunca me tornaria rei e não poderia acabar com esta guerra inútil.»
Bela entrou em choque, o seu coração ficou cheio de mágoa, tornando--se negro. Num grito ensurdecedor surgiu um remoinho gigantesco, sugando Bela até ao fundo dos mares. Sitio onde Bela ficou presa até aos dias de hoje.
            Diz-se que qualquer barco que passe lá perto tem um naufrágio doloroso, tão doloroso como a dor que Bela sentiu ao perder o seu amado.


Diogo Moura 
(1º Prémio ex-aequo 3º Ciclo)